
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
FRASES PARA MEDITAÇÃO - 5

FRASES PARA MEDITAÇÃO - 4

terça-feira, 11 de novembro de 2008
ENOQUE E METUSALÉM,Gn 5:9-32;Hb 11:5,6
Enoque e seu filho Metusalém são dois personagens interessantes e importantes na Bíblia. Metusalém é o homem mais velho reportado na Bíblia. Viveu 969 anos, enquanto seu pai, Enoque, foi trasladado ou arrebatado por Deus quando tinha 365 anos, muito mais jovem do que a idade de qualquer homem registrado antes do dilúvio. Enoque significa "professor" e Metusalém significa "homem do dardo".Quando Metusalém tinha 187 anos, nasceu seu filho Lameque. Quando Lameque tinha 182 anos, nasceu Noé. Quando Noé tinha 600 anos, veio o dilúvio. Somando as idades dos três, temos 969 anos, o que nos mostra que Metusalém morreu pouco antes do dilúvio e Lameque, o pai de Noé, morreu quando tinha 777 anos, apenas 5 anos antes do dilúvio. Foi profetizado nos dias de Metusalém que depois de sua morte viria a enchente ou o dilúvio.
Enoque é um personagem bíblico importante por duas razões. Primeiro porque andou com Deus (Hebreus 11:5 nos ensina que isso foi pela fé). Ele também é importante porque foi trasladado antes do dilúvio, que nem os homens de Deus que estarão vivos quando Jesus voltar e que serão arrebatados antes da tribulação. O pai de Enoque, Jerede, foi o segundo homem mais velho registrado na bíblia. Viveu 962 anos.
Metusalém foi um homem importante nos planos de Deus e aparentemente carregou a verdade da justiça e o julgamento de Deus, depois que Enoque (o professor) foi trasladado, até o dilúvio. Durante 120 anos viu a arca sendo preparada, mas fez o seu trabalho dado por Deus e morreu antes que o dilúvio viesse. Quando você considera quantos anos um homem vivia naquele tempo, da para imaginar quantos filhos tinham e quantas pessoas havia na terra. Até aqui, você deve ter lido o nome de 7 homens que viveram mais de 900 anos. Veja se consegue listá-los.
Os homens do tempo de Metusalém viviam treze ou quatorze vezes mais do que nós.Alguns defendem isto baseados na idéia de que a pressão atmosférica era de 2 a.t.m na terra ante-diluviana,ou seja,ela possuia o dobro da pressão atual,o que facilitaria(em tese),uma oxigenação maior do cérebro pela ação das hemáceas..."trocando em miúdos"... biológicamente a vida era mais fácil,tanto homens como animais correriam mais com menos esforço.
Agora,Será que os animais também viviam tanto tempo? Se sim, que tamanho teriam os répteis (que crescem a suas vidas inteiras)?Mas deixemos isto para um outro artigo,risos...
ABEL E SETE,Gn 4:1-8;4:25-5:8
Temos os nomes de apenas três dos filhos de Adão e Eva, embora saibamos que tiveram muitos outros. Os nomes que conhecemos são Caim, Abel e Sete. Como já aprendemos, Caim era ímpio. Abel e Sete eram diferentes. Obviamente eram pecadores como todos os homens, desde Adão. Porém, eles eram uma semente de espiritualidade. Eram como os homens que nascem de novo, homens de fé. Isso se confirma com a oferta de Abel (Gênesis 4:4; Hebreus 11:4).Quando Caim matou Abel, fez isso porque tinha sua própria justiça e odiava a fé ou qualquer um que a possuísse. Porém, Deus não deixará a semente de espiritualidade ser destruída, por isso deu a Adão e Eva um filho especial para substituir Abel. Chamaram-no Sete. Assim como Caim era pai de uma civilização impiedosa, Sete seria pai de filhos de fé.
O primeiro filho de Sete chamava-se Enos. Houve oito gerações a partir de Sete até Noé. Em cada uma dessas gerações houve um homem piedoso que passou para seus filhos as verdades acerca de Deus e manteve seu casamento puro. Esses homens, assim como Adão, viveram por muitos anos. Três deles chegaram a ser mais velho do que Adão. Ao todo houve sete homens que viveram mais de novecentos anos. Metusalém ! 969, Jares ! 962, Noé ! 950, Adão ! 930, Sete ! 912, Cainã ! 910, Enos ! 905.
Em um sentido, a vida de todos esses homens foram resultados da fé de Abel. Em Hebreus 11:4, o escritor sacro diz que Abel sendo morto ainda fala, e, nos versos seguintes, segue mostrando como a geração de Sete fizeram tudo as coisas certas que fizeram pela fé. Então, assim como a vida de Caim fala dos filhos da carne, cheios de autojustiça e rebelião, Abel e Sete estabeleceram um modelo para os filhos de arrependimento diante de Deus e fé em Jesus Cristo.
Cada pessoa nessa categoria teria que dizer: "eu sou quem sou pela graça de Deus", pois são os sujeitos eternos da graça de Deus.
Obs.:A foto acima é de Caim e Abel,porém o artigo é acerca de Abel e Sete.
Em Cristo,Leonardo Araújo
CAIM,Gênesis 4:1-26
Caim foi o primeiro homem a nascer sobre a terra. Seu pai era Adão e sua mãe Eva. Caim tinha um irmão chamado Abel. Segundo Gênesis 5:4, teve outros irmãos e irmãs, mas Abel é o mais importante para esta lição. Muitos estudiosos da Bíblia acham que Caim e Abel eram gêmeos, mas a Bíblia não menciona isso.Quando Caim e Abel cresceram, trouxeram uma oferta a Deus. O sacrifício de Abel foi uma ovelha,o sacrifício de Caim foram frutos e vegetais que produziu.
Há inúmeras opiniões acerca da aceitação da oferta de abel e da rejeição da de Caim.Algums dizem que a ovelha de Abel significava que este confessou seus pecados e pediu o perdão de Deus.Para eles o sacrifício de Caim significava seu orgulho por seu trabalho, sentindo este que não precisava do perdão de Deus.
Há ainda alguns que defendem que Deus rejeitou a oferta de Caim poís vinha da terra,enquanto aceitou o cordeiro de Abel,poís este tipificava a Cristo.
Pessoalmente não creio assim,poís isto seria fazer acepção de pessoas.Se lermos o contexto imediato veremos que "Caim trouxe do fruto da terra uma oferta ao SENHOR"(Gn4.3);Enquanto "Abel trouxe das primícias do seu rebanho"(Gn4.4).Ou seja,enquanto Caim não teve a menor preocupação de selecionar os melhores frutos e legumes,abel fez questão de escolher as primícias de seu rebanho.
Caim via o culto a Deus como uma mera obrigação religiosa,enquanto Abel tinha em servir a Deus o seu maior prazer.Logo,creio que,Deus se agradou da oferta de Abel, mas rejeitou a de Caim,não pela oferta em si,mas sim,pelo espírito do adorador!
Deus disse a Caim que se arrependesse, mas, recusou-se e ficou tão furioso que matou Abel.
Quando Caim ouviu o julgamento de Deus sobre ele pelo assassinato de Abel, tomou a sua esposa, que era uma de suas irmãs com quem tinha se casado, e foi para longe de Deus, nas terras de Node. Eram terras de peregrinação. Caim e sua esposa tiveram um filho e o chamaram Enoque. Esse não deve ser confundido com o Enoque do capítulo 5; são completamente diferentes.
Depois do nascimento de seu filho, Caim levantou uma cidade, a primeira da terra, segundo a Bíblia, e a chamou Enoque. A partir da descendência de Caim, surgiu grande civilizações. Entre elas havia criadores de gado, músicos, artistas e escultores. Porém, os descendentes de Caim, seguindo seu exemplo, permaneceram distantes de Deus, vivendo na maldade. Vemos o primeiro caso de poligamia e os dois primeiros assassinatos logo nas seis primeiras gerações. Não é surpresa que apenas 1.656 anos depois da criação de Adão, Deus mandou um dilúvio e destruiu toda a perversa descendência de Caim.
Há muitas pessoas como Caim hoje. Isso não significa que necessariamente matam seus irmãos, apesar de alguns fazerem isso. Quero dizer que eles, como Caim, ignoram sua pecaminosidade e estabelecem sua própria justiça, rejeitando Jesus Cristo, o precioso Cordeiro de Deus, e assim tornam-se objetos da ira de Deus eternamente.
Em Cristo,Leonardo Araújo
Adão,Gênesis 1:26-28; 2:18-25; 3:1-24
O primeiro homem da terra foi Adão. Ele não nasceu como os outros homens, pois foi criado por Deus do pó da terra há aproximadamente 6.000 anos. Depois de ter criado Adão a Sua imagem, Ele soprou em suas narinas e Adão se tornou alma vivente. Deus deu a Adão domínio sobre todos os animais que vivem sobre a terra e fez que todos temessem e obedecessem a Adão. Deus não quis que Adão ficasse sozinho, então tirou uma de suas costelas e, a partir dela, formou Eva, para ser a esposa de Adão. Deus disse a Adão e Eva para frutificarem e encherem a terra. Isso significa que Deus queria que tivessem filhos e os ensinassem sobre Deus.Deus deu a Adão e Eva um lindo jardim para viver chamado Éden. Havia muitas árvores nesse jardim que davam bons frutos. Havia também a árvore da vida e a árvore do conhecimento do bem e do mal. Deus deu-lhes permissão para comer de todas as árvores, exceto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Disse-lhes para não comer, ou morreriam.
Satanás, usando a serpente como ajudante, enganou Eva. Disse-lhe que comesse da árvore do conhecimento do bem e do mal porque, assim, tornava a ser igual a Deus. Ela comeu e deu do fruto para seu marido que também o comeu, mas, em vez de se tornarem iguais a Deus, tornaram-se como Satanás. Transformaram-se em pecadores e foram lançados para fora do jardim para envelhecer e morrer.
Antes do pecado, Adão havia lavrado apenas o jardim e vivia feliz com sua esposa. Depois do pecado, Deus amaldiçoou a terra. A terra produziu espinhos e cardos, e Adão teve que trabalhar arduamente para produzir comida. Adão viveu 930 anos e teve muitos filhos e filhas (Gênesis 5:4-5). Adão morreu, mas, por causa do seu pecado, a morte é nossa companhia constante ainda hoje. Você pode ver a tristeza na desobediência a Deus e no dar ouvido a Satanás?
Se o efeito do pecado fosse confinado a nossa própria vida, iremos pensar nisso como sendo da nossa conta ou como estando somente entre nós e Deus. A verdade, porém, é que, assim como no caso de Adão, nosso pecado afeta grandemente os outros. Adão tinha domínio sobre toda a criação e o amaldiçoou pelo seu pecado. Mesmo no nosso caso, toda a criação ainda está sofrendo por causa do pecado do homem.
Em Cristo,Leonardo Araújo
sábado, 8 de novembro de 2008
ILUSTRAÇÃO:AMARGO REGRESSO

Quando ele foram fazer o reconhecimento do corpo descobriram que o "amigo" do qual o rapaz falara era ele mesmo, que havia sido gravemente ferido na guerra e escondera o fato de seus pais, com medo de não ser aceito por eles.
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
O AVIVAMENTO QUE PRECISAMOS - C.H.SPURGEON
Somos abençoados quando nos aproximamos de Deus através da oração. Sentimos tristeza ao perceber que muitas igrejas demonstram tão pouca importância à oração coletiva. De que maneira receberemos alguma bênção, se nos mostramos negligentes em pedi-la? Podemos aguardar um Pentecostes, se jamais nos reunimos uns com os outros, a fim de esperar no Senhor?UM AVIVAMENTO GENUÍNO E DURADOURO
Regozijo-me com quaisquer evidências de vida espiritual, ainda que sejam entusiásticas e temporárias, e não sou precipitado em condenar qualquer movimento bem-intencionado. Contudo, tenho bastante receio de que muitos dos chamados avivamentos, em última análise, causaram mais danos do que benefícios.Uma espécie de loteria religiosa tem fascinado muitos homens, trazendo-lhes repúdio pelo bom senso da verdadeira piedade.
Queremos um avivamento das antigas doutrinas. Não conhecemos uma doutrina bíblica que, no presente, não tenha sido cuidadosamente prejudicada por aqueles que deveriam defendê-la. Há muitas doutrinas preciosas às nossas almas que têm sido negadas por aqueles cujo ofício é proclamá-las.
terça-feira, 28 de outubro de 2008
FRASES PARA MEDITAÇÃO - 3
FRASES PARA MEDITAÇÃO - 2
FRASES PARA MEDITAÇÃO - 1

"Eu tinha o costume de passar muito tempo orando;acho que,às vezes,orava realmente 'sem cessar'(1 Ts 5.17).
Achei,também grande proveito em observar frequentemente dias inteiros de jejum em secreto.
Em tais dias,para ficar inteiramente sozinho com Deus,eu entrava na mata,ou me fechava no templo." - Charles G.Finney
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
Comentário Bíblico de Matthew Henry - Novo Testamento (Parte 1)
MATEUSMateus, apelidado Levi, antes de sua conversão era um publicano ou cobrador de impostos submetidos aos romanos de Cafarnaum. Como regra geral, se reconhece que ele escreveu seu evangelho antes que qualquer dos outros evangelistas. O conteúdo deste evangelho e a prova dos escritores antigos, mostram que foi escrito primordialmente para o uso da nação judaica. O cumprimento da profecia era considerado pelos judeus como uma prova firme, portanto Mateus usa este fato em forma especial. Aqui há partes da história e dos sermões de nosso Salvador, particularmente selecionados por adaptar-se melhor para despertar a nação a ter consciência de seus pecados; para eliminar suas expectativas errôneas de um reino terreno; para derrubar seu orgulho e engano para consigo mesmos; para ensinar-lhes a natureza e magnitude espiritual do evangelho; e para prepará-los para admitirem os gentios na Igreja.
CAPÍTULO 1
• Versículos 1-17 A genealogia de Jesus
• Versículos 18-25 Um anjo aparece a José
Versículos 1-17
Quando aprouve ao Filho de Deus tomar nossa natureza, Ele se aproximou de nós em nossa condição caída, miserável; mas estava perfeitamente livre de pecado: e enquanto lemos os nomes de sua genealogia, não esqueçamos quão baixo se inclinou o Senhor da glória para salvar a raça humana.
Versículos 18-25
Olhemos as circunstâncias em que entrou o Filho de Deus a este mundo inferior, até que aprendamos a desprezar as vãs honras deste mundo, quando comparadas com a piedade e a santidade.
O mistério de Cristo feito homem deve ser adorado; não é para perguntar acerca disto por curiosidade. Foi assim ordenado que Cristo participasse de nossa natureza, porém puro da contaminação do pecado original, que tinha sido comunicado a toda a raça de Adão.
Atente que é ao que reflexiona a quem Deus guiará, não ao que não pensa. O tempo de Deus para chegar com instrução a seu povo se dá quando estão perdidos. Os consolos divinos confortam mais a alma quando está pressionada por pensamentos que confundem.
É dito a José que Maria devia trazer o Salvador ao mundo. Devia dar-lhe o nome de Jesus, Salvador. Jesus é o mesmo nome de Josué. A razão deste nome é clara, porque aqueles aos que Cristo salva, são salvos de seus pecados; da culpa do pecado pelo mérito de sua morte e do poder do pecado pelo Espírito de Sua graça. Ao salvá-los do pecado, os salva da ira e da maldição, e de toda desgraça, aqui e depois. Cristo veio salvar seu povo não em seus pecados, senão de seus pecados; e, assim, a redimi-los dentre os homens para si, que é separado dos pecadores.
José fez como lhe ordenou o anjo do Senhor, rapidamente e sem demora, jubilosamente, sem discutir. Aplicando as regras gerais da palavra escrita, devemos seguir a direção de Deus em todos os passos de nossa vida, particularmente em suas grandes mudanças, que são dirigidas por Deus, e acharemos que isto é seguro e consolador.
CAPÍTULO 2
• Versículos 1-8 Os magos buscam a Cristo
• Versículos 9-12 Os magos adoram a Jesus
• Versículos 13-15 Jesus levado ao Egito
• Versículos 16-18 Herodes manda matar as crianças de Belém
• Versículos 19-23 Morte de Herodes – Jesus trazido a Nazaré
Versículos 1-8
Os que vivem completamente afastados dos meios de graça costumam usar a máxima diligência e aprendem a conhecer o máximo de Cristo e de sua salvação. Porém, nenhuma arte da curiosidade nem o puro aprendizado humano podem levar os homens até Ele. Devemos aprender de Cristo atentando à palavra de Deus, como luz que brilha num lugar escuro, e buscando o ensino do Espírito Santo. Aqueles em cujo coração se levanta a estrela da manhã, para dar-lhes o necessário conhecimento de Cristo, fazem de sua adoração sua atividade preferencial.
Embora Herodes era muito velho, e nunca tinha demonstrado afeto pela sua família, e era improvável que vivesse até que o recém-nascido chegasse à idade adulta, começou a turbar-se com o temor de um rival. Não compreendeu a natureza espiritual do reino do Messias. cuidamo-nos da fé morta. O homem pode estar persuadido de muitas verdades e ainda pode adiá-las, porque interferem com sua ambição ou licença pecaminosa. Tal crença lhe incomodará, e se decidirá mais a opor-se à verdade e à causa de Deus; e pode ser o suficientemente néscio como para esperar ter êxito nisso.
Versículos 9-12
Quanto gozo sentiram estes sábios ao ver a estrela, ninguém o sabe tão bEnquanto aqueles que, depois de uma longa e triste noite de tentação e abandono sob o poder de um espírito de escravidão, finalmente recebem o Espírito de adoção, dando testemunho a seus espíritos de que são filhos de Deus. podemos pensar que desilusão foi para eles quando encontraram que uma barraca era seu palácio, e sua própria e coitada mãe era a única servidão que tinha. Contudo, estes magos não se acreditaram impedidos, pois tendo achado o Rei que buscavam, lhe ofereceram seus presentes. Quem procura humildemente a Cristo não tropeçará se achar Ele e seus discípulos em casebres escuros, depois de tê-los procurado em vão nos palácios e cidades populosas. Há uma alma ocupada em buscar a Cristo? Quererá adorá-lo e dizer "sim!, eu sou uma criatura pobre e néscia e nada tenho a oferecer? Nada!" Não tem coração, ainda que indigno dEle, escuro, duro e néscio? Entregue-o a Ele tal como é, e se prepare para que Ele o use e dispunha dele como lhe apraz; Ele o tomará e o fará melhor, e nunca te arrependerás de ter agido assim. Ele o moldará a sua semelhança, e Ele mesmo se entregará a você e será seu para sempre.
Os presentes dos magos eram ouro, incenso e mirra. A providência os enviou como socorro oportuno para José e Maria em sua atual condição de pobreza. Assim nosso Pai celestial, que conhece o que necessitam seus filhos, usa a alguns como mordomos para suprir as necessidades dos outros e provê-los ainda desde os confins da terra
Versículos 13-15
Egito tinha sido um lar de escravidão para Israel, e particularmente cruel para as crianças de Israel; mais será um lugar de refúgio para o santo menino Jesus. Quando a Deus lhe apraz, pode fazer com que o pior dos lugares sirva para o melhor dos propósitos. Esta foi uma prova de fé para José e Maria. Mas a fé deles, sendo provada, foi achada firme. Se nós e nossos filhos estivermos em problemas em qualquer tempo, lembremos as dificuldades em que esteve Cristo quando era um menino.
Versículos 16-18
Herodes matou os meninos varões, não somente de Belém, senão de todas as aldeias dessa cidade. A ira desenfreada, armada com um poder ilícito, freqüentemente leva os homens a crueldades absurdas. Não foi coisa injusta que Deus permitisse isto; cada vida é entregue a sua justiça tão logo como começa. As doenças e as mortes dos pequenos são prova do pecado original. Mas o assassinato destas crianças foi seu martírio. Que cedo começou a perseguição contra Cristo e seu reinado! Herodes acreditava ter destruído as profecias do Antigo Testamento, e os esforços dos magos para acharem Cristo; mas o conselho do Senhor permanecerá, por astutas e cruéis que sejam as artimanhas do coração dos homens.
Versículos 19-23
Egito pode servir por um tempo como estadia ou refúgio, mas não para ficar a viver. Cristo foi enviado às ovelhas perdidas da casa de Israel, e a elas deve retornar. Se olharmos o mundo como o nosso Egito, o lugar de nossa escravidão e exílio, e somente o céu como a nossa Canaã, nosso lar, nosso repouso, deveremos levantar-nos logo e partir daqui quando sejamos chamados, como José quando saiu do Egito.
A família deve estabelecer-se na Galiléia. Nazaré era lugar tido em pobre estimação, e Cristo foi crucificado sob esta acusação, Jesus Nazareno. Onde quer que nos indique a providência os limites de nossa habitação, devemos esperar compartir a admoestação de Cristo; embora possamos gloriar-nos de sermos chamados por seu nome, seguros de que, se sofremos com Ele, também seremos glorificados com Ele.
Ler a seguir o artigo:"Comentário Bíblico de Matthew Henry - NT(Parte 2)"
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
EVANGELISMO PESSOAL (Parte 1)
Introdução ao Evangelismo Pessoal2. A IMPORTÂNCIA DO EVANGELISMO PESSOAL
A importância vê-se no fato de que a evangelização dos pecadores foi o último assunto de Jesus aos seus discípulos antes de ascender ao céu. Nessa ocasião, Ele ordenou à Igreja o encargo da evangelização do mundo (Mc 16.15,19; At 1.8,9).
3. O ALVO DO EVANGELISMO PESSOAL
O alvo é tríplice: salvar os perdidos, restaurar os desviados e edificar os crentes. O irmão já experimentou o gozo que há em ganhar uma alma para Jesus? É uma bênção e uma experiência inesquecíveis... Há um gozo inexplicável em vermos alguém no caminho para o céu, ou já na glória, por nosso intermédio... Ganhar almas foi a suprema tarefa do Senhor Jesus aqui na terra (Lc 19.10; 1 Tm 1.15). Paulo, o grande homem de Deus, do Novo Testamento, tinha o mesmo alvo e visão (1 Co 9.20). Uma grande parte dos crentes pensa que a obra de ganhar almas para Jesus está afeta exclusivamente aos pregadores, pastores e obreiros em geral. Contentam-se em, comodamente sentados, ouvir os sermões, culto após culto, enquanto os campos estão brancos para a ceifa, como disse o Senhor da seara em João 4.35. O "ide" de Jesus para irmos aos Perdidos (Mc 16.15), não é dirigido a um grupo especial de salvos, mas a todos, indistintamente, como bem revela o texto citado. Portanto, a evangelização dos pecadores pertence a todos os salvos. Cada crente pode e deve ser um ganhador de almas. Nada o pode impedir, irmão, de ganhar almas para Jesus, se propuser isso agora em seu coração. A chamada especial de Deus para o ministério está reservada a determinados crentes, mas a chamada geral para ganhar almas é feita a todos os crentes.
O evangelismo pessoal, como já vimos acima, vai além do pecador perdido: ele alcança também o desviado e o crente necessitado de conforto, direção, ânimo, auxílio e vitória. Ele reaviva a fé e a esperança nas promessas das Santas Escrituras.
4. VANTAGENS DO EVANGELISMO PESSOAL
Aqui estão algumas:
4.1. Adapta-se às condições espirituais de qualquer pessoa
A igreja dos dias primitivos cresceu muito depressa porque os crentes, cheios do Espírito Santo, evangelizavam sem parar (At 5.42; 8.4). O resultado foi o maravilhoso crescimento registrado no livro de Atos dos Apóstolos. Hoje, também, a igreja que tiver um número regular de ganhadores de almas, seu crescimento será notório. A semeadura da Palavra de Deus promove o crescimento e a edificação da igreja. (Ver At 2.41,47; 4.4; 5.14; 9.31, e principalmente em 21.20.) A maior e melhor maneira de ajudar o pastor no crescimento do rebanho de Deus é ganhar almas individualmente. O irmão tem feito assim? Está fazendo assim? Se hoje, na igreja, cada um ganhasse outro, qual seria o resultado? Se todos ganhassem almas como você, qual seria o crescimento da igreja?
5. O MANUAL DO OBREIRO NO EVANGELISMO PESSOAL
Sabendo nós que a Bíblia é o manual do evangelismo pessoal, é evidente que para termos êxito nesta obra, duas coisas precisamos considerar por enquanto:
É verdade que o Espírito Santo guia e inspira na obra de ganhar almas, mas no tocante às Escrituras, Ele só pode lembrar-nos daquilo que conhecemos antes (Jo 14.26). não sei? que não ouvi? que não li? Que não aprendi? Por sua vez, o pregador ou ganhador de almas não é adivinhador de versículos... Muitos, a essa altura, firmam-se em Mateus 10.19,20 para declararem que, na hora precisa, o Espírito Santo dará tudo, mas é bastante o contexto da referida passagem (v.18), para ver a que ocasião Jesus se está referindo. (Leia também, quanto a isto, Pv 9.9:1 Tm 4.13;1 Pe 3.15.)À Bíblia é a "espada do Senhor", mas também "de Gideão" (Jz 7.20). Isto é, ela é a arma que o Espírito Santo usa, mas o elemento que a conduz é o crente. Portanto, é imperioso que o crente aprenda a manejar bem o Livro de Deus. Há crentes que até evitam falar de Jesus, por causa do seu pouco ou nenhum conhecimento das Escrituras.
No evangelismo pessoal, a doutrina principal é a de salvação da alma. É preciso que o crente conheça bem os textos, para apresentá-los à medida que a necessidade for exigindo. Não é um texto qualquer que vamos citar, mas aquele apropriado pura o momento, pois a Bíblia tem uma mensagem adequada para cada caso, cada coração, cada circunstância. Não é abrir a Bíblia em qualquer lugar e dizer: "Vou ler esta passagem que o Senhor me deu", quando geralmente o Senhor não deu coisa nenhuma... O que é preciso é conhecer a Bíblia e depender do Espírito Santo. Assim sendo, Deus abre a porta, guia e dá a mensagem adequada e ungida pelo seu Espírito.
É oportuno lembrar aqui que o Espírito Santo e a Palavra de Deus jamais se contradizem. Quem se julga espiritual deve conhecer e amar a Bíblia, e quem seguir a Bíblia, deve andar segundo o Espírito.
A razão por que muitos crentes chamados espirituais são cheios de meninices; são escandalosos e extremistas, é porque não estudam a Palavra, para nela aprenderem a ordenar seus passos. O que lhes falta é o conhecimento das doutrinas desse Livro. Ter o Espírito Santo e não conhecer a Palavra conduz ao fanatismo. Conhecer a Palavra e não ter o Espirito, conduz ao formalismo. Em religião, fanatismo é zelo excessivo, paixão cega; é chamar ao certo, errado; e ao errado, certo. É ser extremista.É zelo sem entendimento (Rm 10.2). Se você deseja que o Espírito Santo o use, inclusive na obra de ganhar almas, procure ter o instrumento que Ele emprega - a Palavra de Deus (Ef 6.17).
6. COMO DEVEMOS ESTUDAR A BÍBLIA - O MANUAL DO OBREIRO CRISTÃO
É muito bom ler bons livros, mas o máximo de tempo deve ser da Bíblia. Os livros são bons, mas não são substitutos da Bíblia. Nos livros, muitas vezes prevalece o individualismo do autor, mas na Bíblia não há este particular. Leiamos livros, mas tendo sempre a Bíblia como a autoridade principal e final. Ninguém fique preocupado, pensando que por ler muito a Bíblia vai esgotar seu conteúdo... Ela vem sendo lida por milhões de leitores através de milênios e nunca ficou esgotada. Seu conteúdo é inesgotável! Não há ninguém "formado" na Bíblia. Isto é uma das grandes evidências de sua origem divina.
6.3. Leia a Bíblia com a melhor atitude espiritual para com ela.
É de máxima importância que o estudante da Bíblia estude o Santo Livro com reverente atitude mental, tendo-a como a Palavra de Deus e não como uma obra literária comum. O autor da Bíblia é Deus. Seu assunto central é Cristo. Seu real intérprete é o Espírito Santo. Considerando-a sob esses pontos de vista, ela é o único livro cujo autor está sempre presente quando o lemos. Estude-a pois com espírito sequioso, devocional, receptivo, aberto, buscando conhecer mais de Deus e seu amor. A atitude de que tratamos aqui inclui o prazer (Mc 12.37).
6.4. Leia a Bíblia com meditação e oração
Assim fez Davi, no que foi grandemente abençoado por Deus (Sl 119.12,40,64,68). É na presença do Senhor em oração, que as coisas secretas divinas são reveladas (Sl 73.16,17). Daniel orou e as Escrituras lhe foram reveladas (Dn 9). Não convém ler depressa, sem prestar atenção ao sentido, que às vezes é bem claro, mas outras vezes demanda uma meditação mais demorada e profunda. Também é infrutífero fazer concorrência para estabelecer recorde de leitura. É melhor ler pouco, meditando, do que ler às pressas, sem meditar. Quem lê às pressas não pode dizer como Samuel: "Fala, porque o teu servo ouve" (1 Sm 3.10).
6.5. Aplique a leitura da Bíblia primeiro a você mesmo
Nunca leia somente para instruir o próximo. Tome a Bíblia primeiro para a sua edificação. Há pessoas que, na leitura da Bíblia, tudo que é bênção, conforto, promessas, elas aplicam a si; tudo que é ameaça, exortação, avisos, repreensão, castigo, aplicam aos outros. Quando ler a Bíblia irmão, pergunte sempre a Deus, como fez Josué diante do mensageiro celestial: "Que diz meu Senhor ao seu servo?" (Js 5.14).
6.6. Leia a Bíblia toda
A Bíblia é a revelação progressiva da verdade. Isto é, nada é dito duma vez, nem uma vez por todas. É comum um assunto começar num livro e daí prosseguir através de muitos outros, até que o assunto se complete. Por exemplo: a doutrina da Redenção, vai do livro de Gênesis ao de Apocalipse. Não podemos entender uma carta recebida, lendo-a um pouco aqui, um pouco ali, mas, de modo completo. A Bíblia é a carta de Deus à humanidade. Estudando-a toda, conhecemos todo o plano divino através dos séculos.
Não espere compreender a Bíblia toda. Leia Dt 29.29; 1 Co 13.12. Na Bíblia há dificuldades e mistérios insondáveis, isto porque, sendo ela a Palavra de Deus, é inesgotável. É de se esperar que Deus saiba mais que o homem... Um Deus sobrenatural deve ter um livro sobrenatural. Uma mente finita, limitada e deficiente como a nossa, não pode abranger as coisas infinitas de Deus (Rm 11.33,34).
Muitos deixam de ler a Bíblia, e outros perdem o interesse nela só porque não compreendem tudo o que lêem. Ora, quando na refeição, encontramos osso, espinha ou qualquer coisa estranha, deixamos isso de lado e continuamos a comer. Façamos assim no tocante à Bíblia. Deixemos as dificuldades de lado e continuemos a comer. Quanto a este particular, tenha-se em mente Sl 25.14; 1 Co 2.9-14.
6.7. Observações úteis e práticas no estudo da Bíblia
6.7.1.Apontamentos individuais.
Habitue-se a tomar notas de suas meditações na Palavra de Deus. A nossa memória falha com o tempo. Distribua seus apontamentos por assuntos.
O sistema mais simples e rápido para escrever referências bíblicas é o adotado pela SociedadeBíblica do Brasil: duas letras abreviativas, sem ponto, para cada livro da Bíblia. Esse sistema consta do índice das Bíblias editadas pela referida Sociedade. Entre o capítulo e o versículo põe-se um ponto. Exemplos: Jo 2.4 (João 2.4); Jó 2.4; 1 Pe 5.5 (1 Pedro 5.5); Fp 1.29 (Filipenses 1.29); Fm v.14 (Filemon v.14), etc.
6.7.3.Diferença entre texto e referência.
Texto - são as palavras contidas numa passagem.
Referência - é a indicação de livro, capítulo e versículo. Uma referência pode levar indicações como:
- "a" - indicando a parte inicial do versículo:Rm 1.17a.
- "b" - indicando a parte final do versículo: Rm 1.17b.
- "ss" - indicando os versículos que se seguem até o fim ou não, do capítulo: Rm 1.17ss
- "qv" - que veja, recomendação para não deixar de ler o texto indicado: Rm 1.17qv.
6.7.4. Siglas das diferentes versões da Bíblia em vernáculo.Isso poupa tempo e trabalho.
- ARC —Almeida Revisada e Corrigida. É o texto da Almeida antiga, impressa e distribuída pelaImprensa Bíblica Brasileira.
- ARA = Almeida Revisada e Atualizada. É o texto da Almeida revisada por uma comissão de eruditos brasileiros e estrangeiros, e editada pela Sociedade Bíblica do Brasil. Começou a ser publicada completa, em 1958.
- Fig. = Antônio Pereira de Figueiredo. Atualmente é impressa e distribuída pela Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira, Londres.
- M. Soares = Matos Soares. Versão popular dos católicos brasileiros.
- Rhoden = Huberto Rhoden. Versão particular desse padre brasileiro.
a.C. = Antes de Cristo. d.C. = Depois de Cristo.
6.7.6. Contexto.
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
ABRAÃO,O AMIGO DE DEUS - Gn 12.1-5
INTRODUÇÃO:São muitos os exemplos de fé descritos na Bíblia, mas destaca-se, com especial tratamento, o de Abraão, o qual é denominado “pai da fé”. A palavra fé, do ponto de vista escriturístico, tem o significado básico de “fidelidade” (Dt 32.4; Sl 36.5; 37.3). Na verdade, o estudo da vida de Abraão é de grande valor pelo fato de ser ele o pai da nação eleita – Israel, e pai na fé de todos os que crêem em Deus. A sua chamada divina se reveste de um caráter especial, por ser o ponto de partida para a formação do povo que, em meio aos cananeus idólatras, serviria a Deus, como único, invisível e verdadeiro Deus.
I. A VIDA DE ABRAÃO ANTES DA SUA CHAMADA
Depois do juízo divino do Dilúvio e a confusão das línguas de Babel, os povos descendentes de Sem, Cão e Jafé espalharam-se sobre a face da terra. Conforme a genealogia de Abraão, sua descendência veio de Sem, a linhagem da promessa messiânica (Gn 11.10-26).
1. O primitivo nome de Abraão. Seu nome original Abrão (Gn 11.26) significava “pai elevado”, ou “pai das alturas”. Posteriormente, depois de uma aliança feita com o Deus Altíssimo, seu nome passou a chamar-se Abraão que significa “pai fecundo” ou “pai de uma multidão”(Gn 17.5).
2. Os ancestrais de Abraão. Abraão é descendente de Sem, um dos filhos de Noé, através de Tera (Gn 10.10,26), o décimo na linhagem genealógica que vem de Sem. A cidade de Ur, onde nasceu e viveu Abraão e sua família, ficava na antiga Sinar ou Suméria, situada a 160 kms a sudeste de Babilônia, junto à foz do rio Eufrates. Toda aquela região é hoje conhecida como Iraque.
O antigo nome da região, Sinar, vem de “Sin”, o “deus-lua” adorado naquela cidade. Logo, conclui-se que os progenitores de Abraão não conheciam o Deus verdadeiro; eram idólatras (Js 24.2,14,15). Como Abraão veio a conhecer o Todo-Poderoso, não está revelado.Como alguém já disse,certa feita:"Que eu não tenha voz,aonde a Bíblia se cala".
3. A esposa de Abraão, Sara (Gn 11.29-31; 12.5). Quando Deus ordenou a Abraão que saísse de sua terra e do meio de sua parentela, naturalmente, isso não significaria ele abandonar a sua esposa, então chamada Sarai. Ela estava inclusa no plano de Deus para ser a mãe de uma nação especial. O antigo nome dessa mulher, Sarai, significa “princesa”, mas após o encontro de Deus com Abraão, seu nome passou a ser simplesmente Sara, para denotar o seu futuro papel de “mãe de muitas nações” (Gn 17.15,16). Deus não separa casais, nem desfaz casamentos, isto acontece pela maldade humana, quebra da lei divina e pelo pecado, como Jesus deixou claro em Mateus 19.8. O Eterno quer que todos os cônjuges permaneçam unidos para o cumprimento dos seus desígnios.
II. A CHAMADA DE ABRAÃO
Deus chamou a Abraão do meio de um povo idólatra. Diz a Escritura que Ele mesmo apareceu a Abraão estando ele na casa de seus pais (At 7.2-4). Abraão vivia em um mundo corrupto e idólatra e daquele meio Deus o cercou de todas as promessas e pôs-lhe na frente um alvo supremo: ser o pai de muitas nações, e entre estas, uma seria especialmente designada pela presciência divina para ser a representante dos interesses do Altíssimo na terra.
1. A tríplice ordem de Deus a Abraão (Gn 12.1). Na Chamada de Deus a Abraão, há três determinações nas quais estão a essência do plano divino para ele.
A primeira foi: “Sai-te da tua terra”, isto é, Deus tinha uma outra terra, fértil e promissora para ele viver. A partida era indefinida e o lugar para onde ele iria era desconhecido por eles. O grande patriarca deveria partir, independente do desconhecimento dos detalhes. Na verdade, o que Deus queria era que Abraão partisse sem olhar para traz, ou sem pensar em retorno. A terra onde ele habitava seria um transtorno para os planos divinos. Sua saída de Ur dos Caldeus deveria ser para ele um desprendimento completo; uma renúncia total, material, social, e espiritual.
A segunda ordem de Deus foi: “Sai-te do meio da tua parentela”. Com exceção da sua esposa Sara, ninguém mais da família deveria acompanhá-lo naquela peregrinação à terra que Deus lhe havia designado. Mas Abraão, constrangido pela idade do seu velho pai Terá, decidiu levá-lo também. Ainda, um sobrinho muito ligado à família, chamado Ló, resolve unir-se ao patriarca na viagem. Esses laços familiares deveriam ter sido evitados para que Abraão e sua esposa não tivessem qualquer impedimento no caminho preparado por Deus.
Viajaram quase 1000 kms e chegaram a Harã. Ali o idoso Terá não pode mais prosseguir a jornada. Custou caro a Abraão cortar esses laços familiares. Ele deveria ter obedecido a Deus sem reservas e, então, sua viagem de fé teria o devido êxito.
A terceira exigência divina foi: “Vai para a terra que eu te mostrarei”. A terra prometida a Abraão estava muito além de Harã (Gn 17.8; At 7.4). A esta altura aprendemos uma lição preciosa. Quando Deus nos chama nada deverá nos prender a este mundo, porque Ele cuida de tudo.
2. Abraão vai para Harã e Siquém (Gn 12.4-8). Abraão acumulou riquezas em Harã, mas o seu coração não estava naquele lugar. Ele decidira fazer toda a vontade de Deus e partiu de Harã para Canaã, chegando a Siquém. Seu pai já havia morrido e nada mais o deteria em Harã. Sua fé em Deus lhe deu forças para prosseguir. Em Siquém, o Senhor lhe apareceu, reafirmou-lhe as promessas anteriormente feitas e mostrou-lhe toda a terra dos cananeus, a Canaã prometida.
3. Abraão muda de Siquém para Betel (Gn 12.8). Foi em Betel, “casa de Deus”, que Abraão edificou um altar ao Senhor. Agora, naquelas terras, Abraão sabia que, no tempo próprio, ele as teria como cumprimento das promessas divinas. Betel, daqui para a frente, sempre lembrará ao crente um lugar de oração, de encontro com Deus, de decisões importantes na vida espiritual.
III. O CARÁTER DA CHAMADA DE ABRAÃO
A chamada de Abraão tem caraterísticas valiosas para o nosso ensino. O Deus que chamou Abraão é o mesmo que continua chamando e convocando homens e mulheres para o cumprimento de seus desígnios.
1. A soberania de Deus. A soberania divina manifesta-se na vida de Abraão. Deus via nele o homem certo para cumprir sua vontade. Ao mesmo tempo, essa soberania manteve o livre-arbítrio de Abraão, o qual estava livre para obedecer ou não a convocação de Deus. Naturalmente, Deus pode escolher uma pessoa desde o ventre de sua mãe e investir nela o conhecimento de sua soberana vontade, mas entendemos que essa pessoa pode fugir ou desobedecer a vontade divina. No caso de Abraão, o texto de Neemias 9.7,8 deixa implícito seu caráter moral como requisito para a chamada divina.
2. A escolha de Abraão por Deus. Tenhamos em mente que Deus não faz acepção arbitrária de pessoas. Com Abraão Deus inicia uma dispensação especial, a dispensação da promessa e, dentro dessa dispensação, Deus seleciona e escolhe pessoas para cumprirem missões especiais. Abraão foi escolhido por Deus para ser pai de uma nação que o adoraria e representaria seus interesses na terra perante todas as nações. Primeiro Deus escolhe um homem, Abraão; depois, da sua semente, escolhe uma tribo, Judá e, dessa tribo, escolhe um rei, Davi; e através da descendência de Davi, Deus traz ao mundo, seu Filho Jesus, como o Verbo encarnado, para ser o Salvador do mundo.
CONCLUSÃO:
A chamada divina feita a Abraão coloca-o entre aqueles que Deus em sua presciência conhecia e, por isso, o escolheu para ser o homem a cumprir os seus desígnios. Abraão foi obediente à chamada divina e pautou toda sua vida pelo princípio de fazer a vontade de Deus.
Em Cristo,Leonardo Araújo.
MOISÉS,UM LÍDER EFICAZ - Êx 3.1-10
O nome Moisés procede do verbo hebraico māshâ, "tirar" ou "extrair" (Sl 18.16). Moisés, no hebraico Mōsheh, surge no texto onomástico de Êxodo 2.10 como um trocadilho de meshîtihu: "e chamou o seu nome Moisés e disse: Porque das águas o tenho tirado [meshîtihu]".
Assim como afirmamos a respeito da mudança de nome de Sarai para Sara, podemos reafirmar também nesse contexto. A relação entre os nomes próprios e seu étimo é menor do que o contexto que o determina. Portanto, não é objetivo do literato apresentar o nome com base especificamente em sua raiz, mas no Sitz im Lebem, isto é, no contexto de vida ou vivencial do personagem.
II.Temperamento controlado por Deus
Entretanto, o nome não é mais importante do que o caráter do homem; e o fato crucial da passagem de Êxodo 2.10 não é a identidade do personagem, mas a preservação divina do pequeno Moisés. Isso facilmente é observado quando percebemos que nomes com a mesma raiz de mōsheh eram comuns no Egito. Os Faraós Thutmose, Ramsés são apenas dois nomes que podemos destacar imediatamente.
O biblicista Victor Hamilton com muita propriedade afirma que "Moisés não é apenas quem ele é, mas também o que ele é. Seu nome é sua missão" (2006, p.158).
Ele recebe um nome que está relacionado tanto à sua vida quanto à vida de seu povo: ambos serão "tirados". Razão pela qual os argutos tradutores da Septuaginta traduziram o nome hebraico "Estes são os nomes", título hebraico do livro (Êx 1.1), por Êxodo, que significar "sair", "tirar", "extrair". Moisés não foi apenas "tirado" das águas, mas também seria aquele que "tiraria" o povo de Deus da escravidão do Egito.
Uma vez adotado, provavelmente pela rainha Hatshepsut (1504-1482 a.C.), filha de Totmés I e mulher de Totmés II, Moisés foi educado em toda "a ciência dos egípcios e era poderoso em suas palavras e obras" (At 7.22). Criado entre os príncipes, Moisés aprendera toda a ciência do Egito. Segundo o comentarista Antônio Neves de Mesquita, em uma de suas muitas obras, Moisés foi educado e versado em matemática, astronomia, geografia e ciências ocultas, morou com os sacerdotes e aprendeu todos os mistérios da religião egípcia (1980, p.98).
III-Moíses mata um egípcio
Porém, quando completou 40 anos, ao visitar os seus irmãos hebreus, Moisés mata um egípcio que maltratava um dos escravos hebreus (Êx 2.11,12).Moisés nessa época já houvera discernido a vontade de Deus para sua vida. Atos dos Apóstolos afirma que Moisés "cuidava que seus irmãos entenderiam que Deus lhes havia de dar a liberdade pela sua mão; mas eles não entenderam" (7.25).Pouco tempo depois ao arbitrar e interferir na querela entre dois hebreus, Moisés descobre que o fato de ter matado um egípcio já se tornara assunto corrente. Temeu pela sua vida, e com muita razão, pois a lei que prevalecia nesse período era "olho por olho, dente por dente".Faraó soube do caso; sente-se traído por Moisés e decreta-lhe a morte (Êx 2.15).O literato da Epístola aos Hebreus vislumbra a fé de Moisés ao se retirar do Egito: "Pela fé, deixou o Egito, não temendo a ira do rei; porque ficou firme, como vendo o invisível" (11.27). Segundo o biblicista Charles Pfeiffer, "tentando redimir Israel à sua maneira e na sua hora, Moisés fracassou. Mas na hora de Deus ele foi chamado para libertar à maneira de Deus e pelo poder de Deus" (1990, p.70).
Referências Bibliográficas:
HAMILTON, V. P. Manual do Pentateuco. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.
JOSEFO, F. História dos hebreus: de Abraão à queda de Jerusalém. Obra Completa. 9.ed., Rio de Janeiro: CPAD, 2005.
MESQUITA, A.N. Povos e nações do mundo antigo: uma história do Velho Testamento. 3.ed., Rio de Janeiro: JUERP, 1980.
PFEIFFER, C.F.; HARRISON, E. Comentário bíblico Moody. São Paulo: Imprensa Batista Regular, 1990.
SARA,UMA MULHER SUBMISSA - Gn 12.4,5; 1 Pe 3.1-6
Introdução
A proposta deste artigo é refletirmos a respeito de algumas considerações pertinentes à vida de Sara, principalmente no que diz respeito aos seus atos como esposa. Iremos apresentar aqui a influência de Sara em algumas decisões de Abraão, entre elas, o da concubinagem com Agar.
Sara, seu nome seu destino
O substantivo próprio Sara, é uma transliteração do substantivo hebraico śārâ, cujo sentido literal é "princesa", "rainha" ou "dama da corte". É o feminino de śar, isto é, "príncipe".
O sentido, como é corrente em inúmeros textos onomásticos é imediatamente informado: "e será mãe das nações; reis de povos sairão dela" (Gn 17.16). O nome "Sarai", do hebraico śārây, e "Sara", ao que parece, são cognatos, isto é, possuem um étimo comum.
O sentido está muito mais no conceito estabelecido pelo próprio contexto do que no significado etimológico, uma vez que o sentido de śārây, segundo Strong, "dominadora", está no mesmo campo semântico de śārâ. Mas, assim como Abrão, "pai exaltado", tem seu nome alterado para "Abraão", "pai de uma multidão" (Gn 17.5), e com isto uma nova ênfase quanto ao destino e vida do patriarca, assim também em Sara é assinalado uma nova vida e missão. Sarai a estéril, será chamada e conhecida como "Sara, a mãe de reis e príncipes".
O nome Sara enfatiza a função e participação da mulher de Abraão nas promessas e alianças feitas ao patriarca. A bênção sobre Abraão também é dádiva graciosa sobre a vida de Sara.
O mesmo Deus que muda os nomes é o mesmo que transforma a história de vida e destino de seus filhos. O novo nome além de celebrar o pacto de Deus com Abraão, marca uma mudança de rumo na história dos povos. Reis e príncipes procedentes de Sara dirigirão a vida dos povos; o Messias, descendente de Abraão (Gl 3.16) regerá as nações hostis com vara de ferro (Sl 2).
Observe que em Gênesis 16.1 o nome Sarai aparece relacionado à esterilidade da mesma: "Ora, Sarai, mulher de Abraão, não lhe gerava filhos". Sob este nome estava condicionada a humilhação de esposa do patriarca. Embora "princesa", no que diz respeito à sua condição de mulher e de esposa, não era superior à condição da escrava egípcia, Agar:
“Disse Sarai a Abrão: Seja sobre ti a afronta que se faz a mim. Eu te dei a minha serva para a possuíres; ela, porém, vendo que concebeu, desprezou-me. Julgue o Senhor entre mim e ti. Respondeu Abrão a Sarai: A tua serva está nas tuas mãos, procede segundo melhor te parecer. Sarai humilhou-a, e ela fugiu de sua presença” (Gn 16.5,6 – ARA).
Voltaremos a esse episódio mais adiante, no entanto, aqui observamos que a condição de "princesa" da tribo era marcada pelo conflito de não gerar filhos.
Sarai e seu drama
O nome de Sarai está ligada ao drama da esterilidade (ver Gn 11.30), enquanto Sara à promessa da maternidade (cf. Gn 16.5,6; 17.15-22). Antes de tornar-se agraciada pela promessa divina, Sarai usou os recursos legais disponíveis para ludibriar a sua incapacidade física de gerar uma criança. Valendo-se de leis como as de Nuzi, ou de Hamurabi ,Sarai pensara que em Agar resolveria o problema da esterilidade.
Neste episódio observamos o quanto Sarai estava determinada a gerar uma criança, nem que para isso colocasse sua família em risco. Uma falha pela qual ela seria também lembrada.
As ações da mulher cristã também determinam o modo como será lembrada.
Por falta de discernir concretamente a vontade de Deus já apresentada a Abraão em Gênesis 15.1-6, Sarai convence seu marido a entrar em conúbio com a escrava Agar.
O discernimento espiritual deve ser uma prioridade; os problemas cotidianos não devem ofuscar a visão espiritual da mulher que crê. Percebemos neste fato o poder de argumentação de Sarai e a influência da mesma sobre o patriarca. Uma mulher ardilosa ou sábia pode alterar os rumos de uma família ou nação.
Sarai era uma mulher linda, porém ardilosa. A beleza é uma bênção, mas acompanhada de ardil é uma ferramenta austera (Et 2.2,16,17;5.1ss).
Lembremos que a Abraão o Senhor falou diretamente impedindo-o de fazer seu escravo como herdeiro e também lhe fez uma promessa a partir de seu descendente natural (Gn 15.1-6; 17.1-10). Diz a Bíblia que Abraão "creu no Senhor, e foi-lhe imputado isto por justiça" (Gn 15.6; Gl 4.3), mas aqui observamos Sarai influenciando negativamente a fé do patriarca. Fato pelo qual Sarai lamentará profundamente. Sarai, como diz a nosso artigo, era uma mulher submissa, no entanto, não podemos deixar de considerar seu poder de persuasão sobre o patriarca.
Se Strong estiver certo quanto ao significado do nome śārây, "dominiadora", talvez nesse episódio possamos tirar tal conclusão.
Sarai era também uma líder na administração e organização dos escravos domésticos, razão pela qual escolheu friamente a escrava que seria concubina de Abraão.
Agar uma vez concebido e dado à luz uma linda criança, voltou-se contra Sarai, desprezando-a de sua condição de mulher e esposa. Pode ser que Agar pensasse que teria a primazia, pois estava gestante e não muito tempo depois seria mãe em lugar de sua senhora. Entretanto, a lei determinava que o filho seria entregue a Sarai, e esta, e não Agar, seria a mãe do menino. Com este ato Sarai comprometeu a linhagem santa e a descendência de Abraão; pôs em risco a promessa sobre a vida de Abraão.
Cansada de ser humilhada e não podendo vender Agar a qualquer tribo beduína ou a outro parente, Sarai age de conformidade com o Código de Hamurabi, que implicitamente concedia à senhora o poder de tratar a escrava com austeridade. O preço de sua incredulidade era "pago em suaves prestações" de dor, agravo, descontentamento e aborrecimentos.
O vocábulo hebraico ‘ānâ (Gn 16.6) traduzido por “humilhou” (ARA) ou “afligiu” (ARC) é a mesma que descreve o sofrimento dos judeus no Egito em Êxodo 1.11 o que pode significar que Sarai não apenas afligiu Agar verbalmente, mas também lhe dando atividades que não era capaz de executar, embora isso não descarte o espancamento ou a tortura física,mesmo Agar estando grávida.
A incredulidade é o atalho mais curto, porém o mais perigoso e doloroso. Neste episódio, Sarai, a despeito da vontade do patriarca ordena que expulse a escrava e o seu filho Ismael (Gn 21.14-21). Abraão resignado, consente (Gn 22.11). Deus manifesta-se ao patriarca, a fim de orienta-lo (Gn 22.12). Baseados nesse texto, afirma os exegetas hebreus que Sarai era melhor profeta do que Abraão!
terça-feira, 14 de outubro de 2008
O ENCONTRO DA MISERICÓRDIA COM A VERDADE

Esses torturadores, estudando como pôr em execução a própria crueldade, levaram o miserável homem e começaram a afligi-lo com toda sorte de castigos. Mas uma das filhas do Rei. por nome Misericórdia,quando ouviu falar sobre este castigo do criado, correu apressadamente à prisão. Olhando para dentro e vendo o homem entregue aos atormentadores, não pôde deixar de ter compaixão dele, porque é sua característica ter misericórdia. Ela rasgou as roupas, bateu palmas e deixou o cabelo cair solto em torno do pescoço. Chorando e gritando, ela correu ao Pai e,ajoelhando-se diante dos seus pés, começou a dizer com voz séria e dolorosa: "Meu Pai amado, não sou eu tua filha Misericórdia? E tu não és chamado misericordioso? Se tu és misericordioso, tenha misericórdia de teu criado. Se tu não tens misericórdia dele, tu não podes ser chamado de misericordioso; e se tu não és misericordioso, tu não podes ter a mim, Misericórdia, como tua filha". Enquanto ela argumentava com o Pai, sua irmã, Verdade veio e perguntou por que Misericórdia estava chorando. "Sua irmã, Misericórdia", respondeu o Pai, "deseja que eu tenha piedade daquele transgressor orgulhoso, cujo castigo designei". A Verdade,quando ouviu isto, ficou muito irada e olhou duramente para o Pai. "Não sou eu", disse ela,"tua filha Verdade? Tu não és chamado verdadeiro? Não é verdade que tu estabeleceste uma punição para ele e o ameaçaste com a morte por tormentos? Se tu és verdadeiro, tu seguirás o que é verdadeiro:se tu não o seguires, tu não podes ser verdadeiro; se tu não és verdadeiro,tu não podes ter a mim, Verdade, como tua filha". Neste ponto, vocês percebem, "a Misericórdia e a Verdade se encontraram". A terceira irmã,isto é, a Justiça, ouvindo esta discussão, contenda, disputa e pleito, e convocada pelo clamor, começou a inquirir a causa da Verdade. E a Verdade, que só podia falar o que era verdadeiro, disse: "Esta nossa irmã, a Misericórdia, se é que ela deve ser chamada de irmã, visto que não concorda conosco, deseja que nosso Pai tenha piedade daquele transgressor orgulhoso". Então a Justiça, com um semblante bravo e meditando num desgosto que ela não tinha esperado, disse ao Pai: "Não sou eu a Justiça, tua filha? Tu não és chamado justo? Se tu és justo, tu exercerás justiça no transgressor; se tu não exerceres essa justiça, tu não podes ser justo; se tu não és justo, tu não podes ter a mim, Justiça, como tua filha". Então aqui estavam, de um lado, a Verdade e a Justiça, e de outro, a Misericórdia. A Paz fugiu para um país muito distante. Pois onde há discussão e contenda, não há paz; e quanto maior a contenda, para mais longe a Paz é afugentada.
Então, estando uma de suas filhas perdida, e as outras três em calorosa discussão, o Rei achou extremamente difícil encontrar uma maneira de determinar o que deveria fazer, ou para qual lado deveria inclinar-se. Pois se desse ouvidos à Misericórdia, Ele ofenderia a Verdade e a Justiça; se desse ouvidos à Verdade e à Justiça,não poderia ter Misericórdia por sua filha; e, não obstante, fazia-se necessário que Ele fosse misericordioso e justo, pacífico e verdadeiro. Havia grande necessidade de um bom conselho. Portanto, o Pai chamou seu Filho sábio,e o consultou sobre o assunto. Disse o Filho: "Dai-me, meu Pai, este presente assunto para conduzir, e eu castigarei o transgressor para ti,e trarei em paz para ti as tuas quatro filhas"."Estas são grandes promessas",respondeu o Pai, "se a ação concordar com a palavra. Se tu podes fazer o que dizes, eu agirei como tu me exortares". Tendo recebido o mandato real, o Filho levou consigo sua irmã Misericórdia. "Pulando montanhas, ignorando colinas",eles chegaram à prisão, e "olhando pelas janelas, olhando pelas grades", viu o criado encarcerado,barrado da vida presente,devorado pela aflição, e "desde a planta do pé até ao alto da cabeça não havia nele nada são". Fie o viu no poder da morte, porque por ele a morte entrou no mundo. Ele o viu devorado, porque, quando um homem está morto, ele é comido pelos vermes. E porque agora tenho a oportunidade de lhes falar, vocês saberão os nomes dos quatro atormentadores. O primeiro, que o colocou na prisão,é a Prisão da vida presente,da qual se diz:"Ai de mim,que sou constrangido a morar em Meseque". O segundo, que o atormentou, é a Miséria do mundo, que nos ataca com todos os tipos de dor c miséria. O terceiro, que o estava matando,é a Morte, que destrói e a tudo mata; o quarto, que o estava devorando,é o Verme... Então, o Filho, vendo o seu criado entregue a estes quatro atormentadores, não pôde senão ter Misericórdia dele, porque a Misericórdia era sua companheira, e irrompendo na prisão da morte,"conquistou a morte, amarrou o homem forte, tomou os seus bens" e distribuiu os espólios. E, "subindo ao alto, levou cativo o cativeiro e deu dons aos homens". Ele trouxe de volta o criado ao seu país, o coroou com duplicada honra e o vestiu com uma roupa de imortalidade. Ao ver tal coisa, Misericórdia não teve mais base de reclamação. A Verdade não achou causa de descontentamento, porque seu Pai foi achado verdadeiro. O criado havia pago todas as penas. A Justiça, de igual modo, não reclamou,porque fora executada a justiça no transgressor; e, assim,"aquele que tinha-se perdido,foi achado". A Paz, então,quando viu que suas irmãs estavam em concórdia, voltou e se uniu a elas. E agora, vejam que "a Misericórdia e a Verdade se encontraram; a Justiça e a Paz se beijaram".
Assim, pelo Mediador dos homens e anjos, o homem foi purificado e reconciliado,e a centésima ovelha foi trazida de volta ao aprisco de Deus. A este aprisco Jesus nos traz, a quem seja a honra e o poder para sempre. Amém. - Venerável Bede
--------------------------------------------------------------------
O VENERÁVEL BEDE nasceu em 672 e morreu em 735.Ele passou a maior parte da vida no mosteiro em Jarrow-on-Tyne. Sua obra mais notável.foi a História Eclesiástica da Nação Inglesa. Suas últimas horas foram gastas terminando a tradução para o vernáculo do Evangelho de João.Infelizmente, esta obra se perdeu.Há imensa quantidade de sermões da Idade Média, mas poucos estão disponíveis em inglês. Os pregadores medievais não tinham dúvidas sobre o céu, o inferno,a alma e a obra redentora de Jesus Cristo.Diante da incerteza de muitos de nossos sermões modernos, é reconfortante estudar um sermão da Idade Média.
Como vemos no sermão pregado por Bede, havia muito da arte dos contadores de histórias nos sermões deste antigo pregador.

